Como sair do cheque especial em 2026 e não voltar depois

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Sair do cheque especial em 2026, extrato bancário com saldo negativo e plano de troca por crédito mais barato

Para sair do cheque especial, troque o saldo devedor por uma linha de crédito mais barata e reduza o limite no mesmo dia. Em julho de 2026 o cheque especial cobrava 7,47% ao mês, contra 2,93% da composição de dívidas, segundo o Banco Central. Sem o corte do limite, a dívida volta no mês seguinte.

O saldo negativo tem uma característica cruel, que é render juros todo dia sobre o que você já devia ontem. Você recebe o salário, o banco abate o vermelho antes que o dinheiro apareça na tela, e duas semanas depois a conta está negativa de novo.

Esse ciclo é mais comum do que parece. A pesquisa de endividamento da CNC divulgada em setembro de 2026 apontou 82% das famílias brasileiras endividadas em agosto, com 29,9% delas em atraso. O cheque especial raramente aparece nessas conversas, porque ninguém chama de dívida um saldo que ainda está dentro do limite.

Aqui você vai ver quanto o vermelho custa em reais e qual linha de crédito costuma substituí-lo por menos. Também vai encontrar o passo a passo para cortar o limite usando a regra do Banco Central, e o que fazer nos três meses seguintes para não cair de novo. As contas foram calculadas com as taxas médias que o próprio Banco Central publica.

Neste artigo

Quanto custa ficar no cheque especial em 2026

Em julho de 2026, o cheque especial cobrava juros médios de 7,47% ao mês das pessoas físicas. O número equivale a 137,4% ao ano nas estatísticas de taxas de juros do Banco Central. Cada R$ 1.000 parados no vermelho durante trinta dias custam, nessa média, R$ 74,70 só de juros.

A regra do Banco Central limita os juros remuneratórios do cheque especial a 8% ao mês, o que dá cerca de 151,8% ao ano quando se capitaliza mês a mês. O teto está no art. 3º da Resolução CMN 4.765, de 2019 e vale desde 6 de janeiro de 2020, tanto para pessoas naturais quanto para microempreendedores individuais. A média de 7,47% mostra que boa parte do mercado opera colada nesse teto.

Marcelo é técnico de refrigeração e fecha quase todo mês com saldo médio negativo de R$ 800. Ele nunca pediu empréstimo, nunca atrasou conta e jura que não tem dívida nenhuma. Pela taxa média de julho, esses R$ 800 custam R$ 59,76 por mês, ou R$ 717,12 em doze meses. É 44% de um salário mínimo de 2026, que está em R$ 1.621,00, saindo da conta dele sem comprar nada.

Existe um custo que muita gente ainda espera ver na fatura e que não pode mais ser cobrado. A tarifa de disponibilização do limite, criada pelo art. 2º dessa mesma resolução, foi revogada a partir de 1º de novembro de 2021 pela Resolução CMN 4.962/2021. O Supremo Tribunal Federal também declarou o dispositivo inconstitucional, na Ação Direta de Inconstitucionalidade 6.407-DF. Se aparecer no seu extrato uma cobrança por manter o limite parado, ela não tem respaldo na regra atual.

E se você simplesmente deixar rolando, sem pagar nada? Um saldo negativo de R$ 1.500, mantido por doze meses à taxa média de julho de 2026, vira R$ 3.560,72. A dívida mais que dobra em um ano sem que você gaste um centavo a mais, porque o juro do mês entra na base de cálculo do mês seguinte.

Na prática, o que eu mais vejo é a pessoa tratando o cheque especial como extensão do salário. O tamanho do problema só aparece quando ela tenta financiar alguma coisa e descobre o quanto já compromete de renda. Minha orientação para a maioria é parar de olhar o percentual e escrever o valor em reais num papel, porque R$ 59,76 por mês assusta mais do que 7,47%. Se essa conta der mais do que a sua energia elétrica, o cheque especial já é a sua despesa fixa mais cara. Vale comparar a posição dele com a ordem das linhas de crédito mais caras do país antes de decidir o que atacar primeiro.

Como medir o tamanho real da sua dívida antes de trocar de linha

O valor que você precisa cobrir não é o saldo negativo que aparece no aplicativo. É esse saldo somado aos juros que ainda vão ser lançados no fechamento do mês e a tudo que está programado para debitar antes disso. Quem troca de linha usando o número da tela costuma ficar com uma ponta de dívida no cheque especial.

Três documentos resolvem a conta. O extrato detalhado mostra os lançamentos de juros dia a dia, e a fatura de tarifas mostra o que o banco cobra pela manutenção da conta. O terceiro é o relatório do Registrato, que o Banco Central oferece de graça, com todas as operações de crédito registradas no seu CPF. O acesso é pelo Meu BC, com conta gov.br Prata ou Ouro e verificação em duas etapas. O relatório do Sistema de Informações de Crédito é o único lugar onde você vê, de uma vez, tudo que já compromete a sua renda.

Camila trabalha como recepcionista e abriu o aplicativo no dia 20 de setembro com saldo de R$ 2.790 negativos. Aplicando a taxa média de julho de 2026, o mês fecharia com mais R$ 208,41 de juros, levando a dívida a R$ 2.998,41. Ela ainda tinha R$ 180 de débito automático da academia marcados para o dia 25. O número que precisava ser coberto na troca beirava R$ 3.180, e não os R$ 2.790 da tela.

A armadilha aqui é o campo “limite disponível”. Muitos aplicativos somam o limite do cheque especial ao saldo e exibem um número positivo. Quem tem R$ 2.790 negativos e R$ 4.000 de limite lê “R$ 1.210 disponível” e acredita que está no azul. Procure sempre a linha de saldo em conta, que costuma aparecer com sinal negativo em outra tela.

E se houver mais de uma conta com limite aberto? Some todas antes de decidir, porque a troca só resolve se cobrir o conjunto. E se o Registrato mostrar empréstimos que você tinha esquecido? A parcela deles entra no cálculo do quanto sobra por mês, o que muda o prazo que o seu orçamento aguenta. Para dimensionar esse limite, ajuda saber quanto da renda pode ir para dívidas sem sufocar o orçamento.

O erro que mais custa caro nessa etapa é pedir crédito arredondando para baixo. Se você tomar R$ 2.800 para cobrir uma dívida de R$ 3.180, sobra vermelho rodando a 7,47% ao mês. Você passa a pagar duas coisas ao mesmo tempo, e a menor delas é a mais cara. Peça ao gerente a posição do saldo devedor atualizada para o dia da contratação, e só então feche o valor.

Por qual linha de crédito trocar o cheque especial

A troca vale quando a nova taxa é menor que a do cheque especial e o prazo não é esticado sem necessidade. Pelas médias de julho de 2026 do Banco Central, as opções mais baratas costumam ser a composição de dívidas e o crédito consignado.

Modalidade (PF, recursos livres)% ao mês% ao ano
Cartão de crédito rotativo15,02436,1
Cheque especial7,47137,4
Crédito pessoal não consignado6,42111,0
Consignado do setor privado3,6653,9
Composição de dívidas2,9341,4
Consignado do INSS1,8224,2
Consignado do setor público1,8124,0

Taxas médias de julho de 2026, divulgação do Banco Central. A taxa anual é a capitalização composta da mensal, que é como o próprio BCB apresenta os dados.

A composição de dívidas é a linha desenhada para juntar débitos caros num contrato só, e por isso costuma sair abaixo do crédito pessoal comum. Antes de assinar qualquer proposta, exija o Custo Efetivo Total. A regra do Banco Central obriga a informar o CET em taxa percentual anual com duas casas decimais, antes da contratação e com demonstrativo destacado no contrato (Resolução CMN 4.881/2020). É o único número que permite comparar bancos diferentes, porque já engloba juros, tarifas, tributos e seguros. Se precisar de ajuda para ler esse dado, veja como comparar empréstimos pelo Custo Efetivo Total.

O custo escondido mais frequente é o prazo. Uma proposta de 24 meses derruba a parcela e parece confortável, mas multiplica os juros pagos sobre uma dívida que era de curto prazo. Some a isso o IOF, que na pessoa física é de 0,0082% ao dia sobre o valor tomado, mais 0,38% fixos. A alíquota diária para em 365 dias, então o tributo fecha no máximo perto de 3,37% do valor contratado, e em um contrato de seis meses fica em torno de 1,86%. Fique atento também ao seguro prestamista oferecido junto, que raramente é obrigatório e engorda o CET.

E se você for autônomo, MEI ou não tiver acesso a consignado? Aí a comparação real é entre o cheque especial e o crédito pessoal não consignado, uma queda de 7,47% para 6,42% ao mês. É modesta, mas ainda economiza. E se sobrar dinheiro no meio do caminho? Você pode quitar o novo contrato antes do prazo com redução proporcional dos juros, direito garantido pelo art. 52, § 2º, do Código de Defesa do Consumidor. Guarde esse dispositivo, porque é ele que transforma um contrato de doze meses em um de seis quando o seu caixa melhora.

Muita gente acha que qualquer empréstimo é pior do que o cheque especial, e quase sempre está enganada. A confusão vem de misturar o desconforto de assinar um contrato com o custo real do dinheiro. Se fosse comigo, eu pediria simulação de composição de dívidas no banco onde já tenho conta e mais duas propostas fora dele. A comparação seria só pelo CET anual e pelo total a pagar. O que eu não faria é aceitar a primeira oferta que aparece no aplicativo enquanto o saldo está negativo, porque é justamente aí que as condições pioram.

Simulação de 6 meses saindo do cheque especial

Trocar R$ 3.000 de cheque especial por uma linha de composição de dívidas economiza cerca de R$ 586 em juros ao longo de seis meses. E ainda deixa a dívida quitada, enquanto no cheque especial sobrariam R$ 279 rodando. A conta abaixo foi calculada em Python, mês a mês.

Premissas da simulação, com data-base de 15 de setembro de 2026. Saldo devedor de R$ 3.000, pagamento fixo de R$ 600 por mês durante seis meses, juros compostos com capitalização mensal e taxas médias de julho de 2026 do Banco Central. Não foram incluídos IOF, tarifas nem seguros, que variam por contrato e aparecem no CET.

LinhaTaxa ao mêsJuros em 6 mesesSaldo no 6º mêsTotal desembolsado
Cheque especial7,47%R$ 879,03R$ 279,03R$ 3.600,00
Crédito pessoal não consignado6,42%R$ 728,03R$ 128,03R$ 3.600,00
Composição de dívidas2,93%R$ 293,34R$ 0,00R$ 3.293,34
Consignado (média das modalidades)2,11%R$ 205,08R$ 0,00R$ 3.205,08

A evolução mês a mês mostra por que a diferença é tão grande. No cheque especial, o primeiro mês sozinho consome R$ 224,10 em juros, de forma que dos seus R$ 600 apenas R$ 375,90 abatem a dívida. Na composição de dívidas, o mesmo primeiro mês custa R$ 87,90, e R$ 512,10 vão direto para o principal.

MêsJuros no cheque especialSaldoJuros na composiçãoSaldo
1R$ 224,10R$ 2.624,10R$ 87,90R$ 2.487,90
2R$ 196,02R$ 2.220,12R$ 72,90R$ 1.960,80
3R$ 165,84R$ 1.785,96R$ 57,45R$ 1.418,25
4R$ 133,41R$ 1.319,37R$ 41,55R$ 859,80
5R$ 98,56R$ 817,93R$ 25,19R$ 284,99
6R$ 61,10R$ 279,03R$ 8,35R$ 0,00

Somando o que ainda ficaria devendo, quem permanece no cheque especial termina o semestre R$ 864,72 pior do que quem trocou pela composição de dívidas. Dá para ler o mesmo número por outro ângulo, olhando a parcela necessária para zerar exatamente em seis meses. Ela seria de R$ 638,55 no cheque especial, R$ 618,16 no crédito pessoal, R$ 552,51 na composição de dívidas e R$ 537,57 no consignado médio.

A armadilha desta etapa é a mais cara de todas. Se você tomar o empréstimo, cobrir o vermelho e continuar usando o limite, fica com duas dívidas em vez de uma. A segunda volta a rodar aos mesmos 7,47% ao mês. Foi o que aconteceu com Camila na primeira tentativa, em 2025, quando ela quitou o saldo e em quarenta dias estava negativa de novo, agora com uma parcela a mais no orçamento.

E se você só conseguir pagar R$ 400 por mês em vez de R$ 600? Nas mesmas premissas, seis meses no cheque especial deixariam R$ 1.726,74 de saldo e R$ 1.126,74 de juros pagos. Na composição de dívidas sobrariam R$ 984,75, com R$ 384,75 de juros. A troca continua valendo, só que o contrato precisa ser fechado com número de parcelas compatível com o que cabe no seu mês.

Simulação não é promessa de resultado, e a sua taxa real depende da análise do banco, do seu relacionamento e das garantias oferecidas. O que a conta mostra com segurança é a ordem de grandeza. A distância entre 7,47% e 2,93% ao mês não desaparece por causa de meio ponto a mais na sua proposta. Minha orientação é levar essa tabela impressa para a conversa com o gerente e pedir que ele preencha a linha com a taxa que consegue oferecer de fato.

Como cortar o limite do cheque especial e travar a recaída

Você tem direito de escolher um limite mais baixo, e o banco não pode empurrar um limite maior. A regra do Banco Central veda à instituição financeira impor limite superior a R$ 500 quando o cliente opta por contratar valor menor. O comando está no art. 4º, § 1º, da Resolução CMN 4.765/2019, a mesma norma que trouxe o teto de juros anunciado em janeiro de 2020.

A mesma resolução protege você no caminho inverso. Qualquer aumento que não parta de você precisa de autorização prévia, obtida a cada oferta. Já a redução por iniciativa do banco exige comunicação com no mínimo trinta dias de antecedência. A exceção aparece nos parágrafos seguintes, que permitem cortar o limite sem esse aviso quando houver deterioração do seu perfil de risco. Nessa hipótese, a comunicação precisa ocorrer até o momento da redução.

O corte funciona melhor como sequência, e não como decisão isolada.

  1. Contrate a linha de troca primeiro. Peça a redução só depois que o dinheiro novo cobrir o saldo negativo, porque banco nenhum reduz limite de conta que está usando aquele limite.
  2. Formalize o pedido em canal com registro. Chat do aplicativo, e-mail ou atendimento com protocolo, sempre guardando o número. Pedido feito só por telefone tende a sumir.
  3. Escolha o novo valor pelo seu pior dia do mês. Se o fundo do poço do extrato é R$ 600 negativos, um limite de R$ 500 já força a mudança sem devolver débitos importantes.
  4. Confirme por escrito que não haverá aumento automático. A autorização prévia é exigida a cada oferta, então registre que você recusa aumentos futuros.
  5. Reveja em três meses. Se os débitos automáticos passaram a caber no saldo positivo, aí sim vale cortar o restante.

Marcelo cortou o limite de R$ 4.000 para R$ 500 no dia seguinte à contratação do novo crédito. No mês seguinte, o saldo médio negativo dele desabou de R$ 800 para R$ 190, porque a conta simplesmente parou de permitir o excesso. O custo mensal caiu de R$ 59,76 para R$ 14,19, uma economia de R$ 546,84 ao longo de um ano.

O custo escondido do corte é o débito devolvido. Com limite menor, um boleto alto que cai em dia errado pode voltar, gerando tarifa de devolução no banco e encargos de atraso com o credor. Antes de reduzir, liste todos os débitos automáticos e as datas deles. Considere deixar R$ 500 de limite durante o primeiro trimestre, em vez de zerar de uma vez.

E se o banco recusar a redução? A regra é clara quanto ao direito do cliente de optar por limite mais baixo. Registre reclamação no canal do próprio banco e, se persistir, use o Fale Conosco do Banco Central e o consumidor.gov.br. E se o seu score cair por causa disso? Não existe norma ligando o tamanho do limite do cheque especial à sua nota, e os birôs não publicam esse peso. Tratar o corte como risco de crédito é especulação. Se você quer entender o que muda de verdade na análise, vale ler o que acontece quando o score está baixo na hora de pedir crédito.

Na minha experiência, o corte do limite é a única parte desse plano que funciona sozinha. Trocar a dívida sem cortar o limite adia o problema em dois ou três meses. Cortar o limite sem trocar a dívida pelo menos impede que ela cresça. Se você só tiver energia para uma ação esta semana, faça o corte.

O que fazer para não voltar ao cheque especial no mês seguinte

Não voltar depende de duas coisas, um colchão de saldo na conta corrente e um calendário de pagamentos que respeite a data em que o seu dinheiro entra. Sem elas, o limite cortado apenas transforma o vermelho em boleto atrasado.

O tamanho do colchão sai do seu próprio extrato. Procure, nos últimos três meses, o dia em que o saldo ficou mais baixo, e use esse valor como meta inicial de dinheiro parado na conta. Como régua externa, o comprometimento de renda das famílias com serviço da dívida estava em 28,85% em junho de 2026, com ajuste sazonal, segundo o Banco Central. Se o seu número passa bem disso, o problema está no orçamento antes de estar no limite.

Camila ganha R$ 2.800 por mês, e o pior dia do extrato dela era R$ 600 negativos. Ela passou a separar R$ 150 por mês e, em quatro meses, tinha o colchão completo, sem mexer na parcela do novo empréstimo. Esses R$ 150 vieram de dois débitos recorrentes que ela nem lembrava, um aplicativo de vídeo e um seguro de celular, que somavam R$ 148 mensais.

A armadilha clássica de quem sai do cheque especial é migrar para o cartão de crédito. Usar o limite do cartão para segurar o mês e depois pagar só o mínimo joga você no rotativo. Em julho de 2026, o rotativo cobrava 15,02% ao mês, mais que o dobro do cheque especial. Trocar um pelo outro é piorar, não resolver.

E se a sua renda for variável, como acontece com autônomos e comissionados? O colchão precisa ser calculado pelo pior mês do ano, nunca pela média, e as contas fixas devem ficar logo depois da data de entrada mais confiável. E se aparecer uma emergência antes do colchão ficar pronto? Aí o caminho é a reserva de emergência, mesmo que pequena, guardada fora da conta corrente. Dinheiro na mesma conta do cartão de débito vira gasto sem que você perceba.

O que costuma acontecer na prática é a pessoa montar o colchão, ver R$ 600 parados e gastar. Minha orientação para a maioria é apelidar esse dinheiro no aplicativo e tirá-lo da conta principal, se o banco permitir uma conta separada sem tarifa. Para achar o dinheiro que vai formar esse colchão sem apertar o orçamento, o caminho mais rápido costuma ser mapear os gastos invisíveis que somem do mês.

E se você não conseguir crédito mais barato para trocar

Quando nenhuma proposta externa sai abaixo dos 7,47% ao mês, negocie dentro do próprio banco o parcelamento do saldo devedor do cheque especial. Depois disso, teste a portabilidade. Ficar parado é a única alternativa que sempre perde.

Bancos costumam oferecer esse parcelamento em condições melhores do que o rotativo da conta, porque para eles é preferível receber parcelado a ver o cliente inadimplente. Suponha que a oferta saia a 4,5% ao mês. Os mesmos R$ 3.000, pagos em seis parcelas de R$ 600, custariam R$ 476,65 de juros e zerariam no sexto mês. No cheque especial seriam R$ 879,03 de juros e ainda R$ 279,03 de saldo remanescente. A proposta perde para os 2,93% da composição de dívidas, mas ganha de não fazer nada.

Fechado o contrato, você ainda pode transferi-lo depois. A portabilidade de crédito é direito do devedor pela Resolução CMN 5.057/2022, e é gratuita, com vedação expressa de repassar custos a você. A instituição original tem cinco dias úteis para transferir os recursos. Funciona bem quando o seu perfil melhora alguns meses depois da troca, abrindo propostas que não existiam no dia do aperto. O passo a passo está em como transferir a dívida e pagar menos juros na portabilidade de crédito.

Dois pontos precisam ficar claros sobre programas de renegociação. O Novo Desenrola Brasil não está mais em vigor, porque a medida provisória que o instituiu perdeu a eficácia em 31 de agosto de 2026 sem virar lei. Condições que circularam naquele programa, como juros máximos de 1,99% ao mês, não valem mais. Plataformas de renegociação dos birôs seguem funcionando o ano todo, mas cobrem dívidas já negativadas, e o cheque especial em dia não entra nelas.

O golpe que mais aparece nessa fase é o da taxa antecipada. Nenhuma instituição autorizada pede depósito prévio para liberar crédito. Quem promete aprovação garantida para negativado mediante pagamento de “taxa de análise” está aplicando um golpe. Na mesma pesquisa da CNC de agosto de 2026, 12,5% das famílias endividadas declararam não ter condições de pagar suas dívidas, e é esse público que as ofertas falsas procuram.

E se o seu nome já estiver negativado por causa de outra conta? A prioridade muda, porque a negativação fecha as portas do crédito barato. Nesse caso, negocie primeiro a dívida negativada e só depois ataque o cheque especial. E se o banco só oferecer parcelamento em 24 ou 36 meses? Aceite apenas se o CET anual for claramente menor que o do cheque especial e se o contrato permitir quitação antecipada, que é direito seu. Para preparar essa conversa, ajuda ver como negociar dívidas em atraso sem fechar um acordo pior.

O erro que mais custa caro aqui é esperar a proposta perfeita. Uma troca que reduz a taxa de 7,47% para 4,5% ao mês já economiza centenas de reais em seis meses, e você pode melhorá-la depois com portabilidade. Minha orientação é fechar a melhor opção de hoje, cortar o limite no mesmo dia e reabrir a busca daqui a três meses, com o saldo devedor já menor.

Perguntas frequentes sobre sair do cheque especial

O banco pode cobrar tarifa só por deixar o cheque especial disponível?

Não. A tarifa de disponibilização do limite estava no art. 2º da Resolução CMN 4.765/2019 e foi revogada a partir de 1º de novembro de 2021 pela Resolução CMN 4.962/2021. O Supremo Tribunal Federal declarou esse dispositivo inconstitucional na ADI 6.407-DF. Se a cobrança aparecer no extrato, peça o estorno com protocolo.

Qual é o juro máximo que o banco pode cobrar no cheque especial?

O teto é de 8% ao mês sobre o valor utilizado, fixado no art. 3º da Resolução CMN 4.765/2019 e em vigor desde 6 de janeiro de 2020. A média do mercado em julho de 2026 era de 7,47% ao mês, segundo o Banco Central, o que mostra quantas instituições operam perto do limite permitido.

Posso zerar o limite do cheque especial ou só reduzir?

Você pode contratar um limite mais baixo, e a regra proíbe o banco de impor valor acima de R$ 500 quando o cliente opta por menos. Na prática, a maioria dos bancos aceita reduzir a qualquer valor, inclusive zero. A condição é que a conta não esteja usando o limite naquele momento.

Usar o cheque especial derruba o meu score?

O uso em si não é uma informação negativa, mas a utilização recorrente e alta do limite entra nos dados de relacionamento bancário que alimentam os modelos dos birôs. O atraso no pagamento, esse sim, gera registro. Nenhum birô publica o peso exato dessa variável, e não existe score mínimo definido em lei para aprovação de crédito.

Quanto tempo leva para sair do cheque especial de verdade?

Depende do saldo e de quanto sobra por mês. A troca por uma linha mais barata resolve a parte cara da dívida em um dia, enquanto o comportamento leva de três a seis meses para mudar. Na simulação deste artigo, R$ 3.000 pagos a R$ 600 por mês zeram em seis meses na composição de dívidas, e deixam R$ 279 de resto no cheque especial.

O Desenrola ainda serve para quitar cheque especial?

Não. O Novo Desenrola Brasil perdeu a eficácia em 31 de agosto de 2026, quando a medida provisória que o criou caducou sem conversão em lei. As condições divulgadas naquele programa não estão mais disponíveis. A negociação hoje é feita direto com o banco ou pelas plataformas dos birôs de crédito.

Por onde começar ainda esta semana

Para quem vive com saldo negativo recorrente, o caminho mais sensato é a troca por composição de dívidas seguida do corte imediato do limite. A diferença de 7,47% para 2,93% ao mês compensa com folga a burocracia de assinar um contrato novo. Se você não tem acesso a essa linha, o crédito pessoal não consignado a 6,42% ainda economiza dinheiro, e o parcelamento oferecido pelo próprio banco costuma ficar no meio do caminho.

A resposta muda em duas situações. Se o seu saldo negativo é pequeno e esporádico, digamos R$ 300 em dois meses do ano, o empréstimo custa mais em tarifas e IOF do que os juros evitados. Nesse caso, o melhor ajuste é mudar as datas de vencimento das contas. Se o seu nome já está negativado, negocie primeiro a dívida que sujou o CPF, porque ela é a barreira que impede o crédito barato de chegar.

Comece hoje por três coisas. Levante o saldo devedor exato, somando os juros do mês e os débitos programados. Peça simulação de composição de dívidas no seu banco e em mais dois, comparando só o CET anual. Por fim, escreva no calendário o dia em que vai pedir a redução do limite, que deve ser o dia seguinte ao da contratação. Se quiser transformar isso em um roteiro mais longo, vale montar um plano de 12 meses para quitar dívidas e encaixar o cheque especial como primeira etapa.

Aviso: este texto tem finalidade informativa e educacional sobre o funcionamento do cheque especial e das linhas de crédito usadas para substituí-lo. Não constitui recomendação de contratação, consultoria financeira ou orientação tributária individualizada. As simulações usam taxas médias divulgadas pelo Banco Central e não representam a taxa que será oferecida a você, que depende da análise de crédito de cada instituição. Para decidir sobre a sua dívida específica, procure um profissional habilitado e confira as condições com a instituição antes de assinar.

Revisado por Paulo Nascimento, advogado (OAB/RN nº 17.985), em

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