Quanto tempo para o score subir depois de pagar a dívida

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Quanto tempo para o score subir depois de pagar uma dívida e o ciclo de atualização dos birôs de crédito

Quanto tempo para o score subir depois de pagar uma dívida não tem resposta única. A baixa da negativação sai em até cinco dias úteis, prazo fixado pela Súmula 548 do STJ. A nota, porém, só costuma reagir depois de três a seis meses, conforme novos meses de pagamento em dia entram no histórico.

Você pagou o acordo, guardou o comprovante, abriu o aplicativo do birô na manhã seguinte e a nota continuou exatamente igual. Essa é a frustração mais comum de quem acabou de quitar uma pendência, e ela nasce da confusão entre duas coisas que caminham separadas, a baixa da negativação e o recálculo do score.

A baixa tem prazo definido e sai rápido. O score não tem prazo nenhum, porque ele é uma previsão estatística construída sobre os seus últimos meses de comportamento, e não um selo que liga e desliga quando a dívida some da tela.

Nas próximas seções você vai ver o prazo de cada etapa e o que cada um dos quatro birôs declara oficialmente sobre a atualização dos dados. Depois disso, fica claro por que o histórico de atraso continua pesando mesmo quitado, o que encurta o caminho e o que só gasta o seu dinheiro.

Neste artigo

Quanto tempo para o score subir, etapa por etapa

Depois que o dinheiro sai da sua conta, três relógios diferentes passam a correr ao mesmo tempo, e só um deles tem prazo cobrável. A confirmação do pagamento leva de uma hora a três dias úteis, a baixa da negativação tem até cinco dias úteis contados do pagamento integral, e o recálculo do score não tem prazo declarado por nenhum birô brasileiro.

O prazo da baixa vem da Súmula 548 do STJ, comentada pelo Tribunal de Justiça do Distrito Federal. O enunciado diz que incumbe ao credor excluir o registro da dívida no cadastro de inadimplentes em cinco dias úteis, a partir do integral e efetivo pagamento do débito. Pelo Tema 735 do próprio STJ, a contagem começa no primeiro dia útil seguinte à completa disponibilização do dinheiro necessário para quitar o débito vencido.

EtapaPrazo declaradoOrigem do prazo
Acordo aparece como pago no aplicativoPix em até 1 hora, boleto em até 5 horasSerasa, consultado em 15/09/2026
Compensação bancária do boletoAté 3 dias úteisSerasa, consultado em 15/09/2026
Credor pede a baixa da negativaçãoAté 5 dias úteis do pagamento integralSúmula 548 do STJ
Fonte atualiza e corrige dados enviados ao birôAté 10 diasLei 12.414/2011, art. 8º, IV
Score é recalculadoSem prazo únicoSerasa e SPC Brasil, consultados em 15/09/2026

Pense na Marcela, auxiliar administrativa em Contagem, com uma fatura de cartão de R$ 1.200 vencida em março de 2026. Ela fechou o acordo e pagou o boleto na quinta-feira, 10 de setembro de 2026. A compensação caiu em 15 de setembro, e o prazo de cinco dias úteis do credor se encerraria em 22 de setembro, somando oito dias úteis entre o pagamento e a obrigação de retirar o registro. Nesse intervalo inteiro, o score dela pode não se mexer um ponto sequer, e isso está dentro do esperado.

A armadilha mais cara dessa etapa é o acordo parcelado. Em boa parte dos acordos, a negativação sai depois da primeira parcela, e muita gente lê isso como dívida resolvida. Se as parcelas seguintes atrasarem, o acordo costuma ser cancelado conforme as próprias condições assinadas, a cobrança volta ao ponto anterior e os meses que você passou esperando não contam a seu favor. Segundo a Serasa, que declara o prazo de até cinco dias úteis para a retirada do nome, sábados, domingos e feriados não entram na contagem, o que estica o calendário real de quem paga numa sexta-feira véspera de feriado.

Na prática, o que eu vejo com mais frequência é gente conferindo o aplicativo no dia seguinte ao pagamento e concluindo que foi enganada. Minha orientação para a maioria das pessoas é anotar no celular a data de oito dias úteis depois do pagamento, guardar o comprovante com o número do acordo e só conferir nesse dia. Antes disso, a chance de o birô ainda não ter recebido o arquivo do credor é grande, e a ligação que você fizer não vai acelerar o processo em um único dia.

Qual o prazo para a negativação sair do seu nome depois do pagamento

São cinco dias úteis para o credor pedir a exclusão do registro, e esse prazo vale independentemente do tamanho da dívida ou do canal em que você negociou. Existe ainda um segundo prazo, que corre sozinho mesmo se você nunca pagar, e é o limite de cinco anos de permanência do registro negativo.

A regra dos cinco anos está no artigo 43, § 1º, do Código de Defesa do Consumidor, que impede os cadastros de manter informações negativas por período superior a esse. O detalhe que muda tudo é a data de início da contagem. O STJ decidiu em 2024, no REsp 2.095.414, que o prazo corre do dia seguinte ao vencimento da dívida, e não da data em que o seu nome foi inscrito. O mesmo artigo 43, no § 2º, exige comunicação prévia por escrito antes da inclusão, e o STJ entendeu em 2023, no REsp 2.056.285, que ela não pode ser feita só por e-mail ou SMS.

Imagine uma conta de loja vencida em 12 de março de 2022 e negativada só em agosto daquele ano. O registro cai automaticamente em 12 de março de 2027, cinco anos depois do vencimento, mesmo que você nunca tenha pago nada. Se você tiver três registros de credores diferentes, cada um tem a sua própria contagem, o que explica por que o CPF de muita gente vai ficando limpo aos pedaços ao longo de meses.

O custo escondido aqui é achar que o fim da negativação apaga a dívida. Sair do cadastro de inadimplentes não extingue o débito, e o credor continua podendo cobrar por telefone, carta e ação judicial, dentro dos prazos de prescrição de cada tipo de contrato. Além disso, a informação de pagamento em dia pode ficar nos bancos de dados por até 15 anos, conforme o artigo 14 da Lei 12.414/2011. O seu histórico de crédito, portanto, é bem mais longo do que os cinco anos da negativação. Se o seu caso é esse, vale entender em detalhe como o nome sai do cadastro de inadimplentes e em quanto tempo.

Minha orientação para quem está perto de completar os cinco anos é não parar de negociar por causa disso. O registro some, mas o banco que vai te avaliar enxerga o seu comportamento recente por outras janelas. Chegar ao sexto ano sem nenhum contrato pago em dia deixa você com a ficha limpa e o histórico vazio, que é uma combinação ruim na hora de pedir limite.

De quanto em quanto tempo cada birô atualiza o seu score

Nenhum dos quatro birôs que operam no Brasil publica um calendário fixo de atualização do score. O que eles declaram, quando declaram, é o prazo da baixa da negativação e a natureza contínua do cálculo, o que é bem diferente de prometer que a nota muda no dia 1º de cada mês.

BirôO que declara sobre a baixaO que declara sobre o score
Serasa ExperianCredor tem até 5 dias úteis para comunicar a baixaCálculo contínuo, com dados que podem chegar em ciclos diferentes, sem prazo único
SPC Brasil / CNDLCredor tem até 5 dias úteis para solicitar a atualização dos registrosAumento após resolver as pendências varia conforme o comportamento financeiro
QuodNão publica prazo no FAQ públicoNão publica prazo nem frequência de atualização
Equifax BoaVistaNão publica prazo em página pública de consumidorNão publica frequência de atualização

Consulta feita em 15/09/2026 nas páginas oficiais de cada birô.

O SPC Brasil informa que a empresa credora tem até cinco dias úteis para solicitar a atualização dos registros depois da quitação ou do pagamento da primeira parcela de um acordo. No mesmo texto, o birô afirma que o aumento do score depende de como vários fatores se alinham ao seu comportamento financeiro. Por trás disso existe uma regra pouco conhecida, a da Lei 12.414/2011, que obriga a fonte a atualizar e corrigir as informações enviadas aos gestores em prazo não superior a dez dias. O dado que chega ao birô, portanto, tem um atraso legítimo embutido.

Faça a conta do calendário real. Você paga no dia 10, o credor cumpre a Súmula 548 e pede a baixa no dia 17, e a atualização de outras informações do seu contrato viaja dentro dos dez dias da Lei 12.414. Entre o pagamento e a tela do aplicativo mostrando outra realidade passam facilmente de sete a quinze dias, sem que ninguém tenha descumprido prazo algum. Os dados de crédito do sistema bancário também seguem ritmo mensal. A metodologia do SCR.data, publicada pelo Banco Central, registra que os relatórios são atualizados no último dia útil do mês, com os dados disponibilizados após trinta dias do fechamento de cada período.

A pegadinha que mais confunde é imaginar que os quatro birôs conversam entre si. Cada um mantém a sua própria base, recebe arquivos de credores diferentes e calcula a nota com o seu próprio modelo. É perfeitamente possível estar limpo na Serasa e ainda negativado no SPC pela mesma dívida, porque o credor comunicou um e esqueceu o outro. Antes de comemorar, confira os quatro, já que consultar o CPF de graça nos quatro birôs não custa nada e leva poucos minutos.

O erro que mais custa caro aqui é acompanhar um birô só. Se fosse comigo, eu abriria os quatro cadastros no mesmo dia, anotaria o que cada um mostra e cobraria a baixa em todos eles por escrito. A obrigação da Súmula 548 é excluir o registro, e não excluí-lo apenas no cadastro de preferência do credor.

Por que quitar a dívida não apaga o seu histórico de atraso

Porque o score não é um placar de dívidas abertas, e sim uma previsão estatística sobre a chance de você pagar as próximas contas em dia. Pagar hoje muda a sua situação atual, mas não reescreve os meses em que a conta ficou vencida, e são esses meses que alimentam o cálculo.

A natureza do score foi reconhecida pelo STJ na Súmula 550. O enunciado afirma que a utilização de escore de crédito, método estatístico de avaliação de risco que não constitui banco de dados, dispensa o consentimento do consumidor, que terá o direito de solicitar esclarecimentos sobre as informações pessoais valoradas e as fontes dos dados considerados no respectivo cálculo. Repare no que a súmula garante e no que ela não garante, porque você tem direito a saber quais dados entraram na conta, mas não tem direito à fórmula.

A própria Serasa explica por que o score pode não subir mesmo depois da negociação, e a explicação tem três partes. A primeira é que não existe quantidade garantida de pontos nem prazo universal para a mudança. A segunda é que o histórico dos meses em que houve atraso permanece no SCR, o sistema de informações de crédito do Banco Central. A terceira é que a retirada da negativação, o recálculo do score e a análise de crédito feita por um banco seguem critérios e prazos diferentes.

Dois exemplos deixam isso concreto. Em agosto de 2026, segundo a Serasa, o ticket médio dos acordos fechados no Brasil foi de R$ 741. Duas pessoas que pagaram exatamente esses R$ 741 no mesmo dia podem ver resultados completamente diferentes. Uma delas tinha um único atraso de três meses em cinco anos de contas pagas, enquanto a outra acumulou dezoito meses de inadimplência e ainda tem dois contratos abertos. O valor pago é igual, o histórico não é, e o modelo estatístico responde ao histórico.

O custo escondido dessa lógica aparece em quem quita e corre para pedir crédito no dia seguinte. Cada pedido gera uma consulta registrada no seu cadastro, e uma sequência de consultas em poucos dias sinaliza exatamente o comportamento que o modelo tenta detectar, que é a busca aflita por dinheiro. Se você quer entender o que pesa em cada fatia da nota, vale ler antes como o score de crédito é calculado.

Muita gente acha que quitar zera o relógio, e quase sempre está enganada, porque o que zera o relógio é o acúmulo de meses novos sem atraso. Minha orientação é tratar o pagamento como o primeiro dia de um histórico novo, não como o último dia de um problema antigo. Planeje os próximos seis meses de contas com a mesma disciplina com que você planejou o acordo.

Quantos pontos o score sobe depois de pagar uma dívida

Não existe número garantido, e nenhum birô publica tabela de pontos por evento. A Serasa afirma em texto próprio que não existe quantidade garantida de pontos nem prazo universal para a mudança, e o SPC Brasil diz que o aumento varia conforme o alinhamento de vários fatores do seu comportamento.

Perseguir pontos, aliás, costuma ser a pergunta errada. Não existe score mínimo definido em lei para aprovação de crédito no Brasil, e qualquer número que um banco use é política comercial dele, revisada conforme o apetite de risco do trimestre. A pergunta útil é se o seu conjunto de informações passa na política do credor, e isso depende de renda comprovada, de dívidas abertas e de garantia, não só da nota.

Enquanto você espera a nota subir para pagar, a conta cresce. Uma dívida de R$ 1.200 no rotativo do cartão, à taxa média de 15,02% ao mês apurada pelo Banco Central em julho de 2026, chega a R$ 2.415 depois de cinco meses. Nesse ponto os juros já igualaram o valor original, e entra o limite da Lei 14.690/2023, que impede que o total cobrado de juros e encargos supere o valor original da dívida. O teto do seu caso passa a ser R$ 2.400, ou seja, esperar meio ano pela nota custou R$ 1.200 de juros, exatamente o tamanho da dívida que você tinha no começo. A simulação usa a taxa média de julho de 2026, capitalização mensal e nenhum pagamento parcial no período.

A armadilha silenciosa é a promessa de ganho rápido. Existe um mercado inteiro vendendo pacotes de pontos, e ele se sustenta justamente porque nenhum birô divulga a fórmula, o que torna impossível provar que o pacote fez alguma coisa. Se o vendedor garante um número, ele está afirmando conhecer um cálculo que o próprio STJ reconheceu como método estatístico protegido, e essa conta não fecha.

O erro que mais custa caro aqui é adiar o pagamento esperando o momento em que a nota estará melhor. Minha orientação para a maioria das pessoas é pagar a dívida mais cara primeiro e deixar o score seguir o próprio ritmo. A matemática dos juros é previsível, a do modelo estatístico não é.

O que realmente acelera a subida do score

O que acelera é gerar informação nova e positiva, de forma constante, nos meses seguintes ao pagamento. A lista abaixo reúne o que tem efeito comprovável na lógica do cálculo, com a ressalva de que nenhum birô promete ganho de pontos por nenhuma dessas ações.

  1. Pagar antes do vencimento todos os meses. A Serasa afirma que evitar atrasos é o fator que mais pesa no score, e cada fatura quitada em dia é um mês novo entrando na janela de observação do modelo.
  2. Manter o Cadastro Positivo aberto. Desde a Lei Complementar 166/2019, a abertura é automática, e as informações de adimplemento podem permanecer nos bancos de dados por até 15 anos, contra os cinco anos da negativação. Quem cancelou o cadastro fica apenas com o rastro negativo visível, o que joga contra. Entenda como funciona o Cadastro Positivo antes de decidir cancelar.
  3. Usar pouco do limite disponível. Com um cartão de limite de R$ 2.000, fechar a fatura em torno de R$ 600 sinaliza folga, enquanto fechar em R$ 1.800 sinaliza dependência do crédito, ainda que você pague tudo no vencimento.
  4. Corrigir dado errado assim que aparecer. A fonte tem até dez dias para atualizar e corrigir informações enviadas aos gestores, conforme o artigo 8º, IV, da Lei 12.414/2011. A impugnação de informação incorreta no Cadastro Positivo também tem prazo de correção previsto na mesma lei.
  5. Conectar contas por Open Finance quando o birô oferecer. A Serasa declara que a pontuação pode subir a cada conta bancária conectada no aplicativo, sem garantia de aumento, e o mesmo vale para o compartilhamento de dados em outros birôs.
  6. Deixar o tempo correr com contratos ativos e pagos. Tempo de relacionamento com instituições financeiras é um dos fatores citados pelo SPC Brasil, e ele só se constrói mês a mês.

Coloque isso no calendário de uma pessoa real. Uma professora quitou R$ 741 em setembro de 2026, manteve o Cadastro Positivo aberto e usou no máximo R$ 600 do limite de R$ 2.000. Pagando tudo em dia, ela chega a março de 2027 com seis faturas positivas registradas. Nesse ponto, o modelo já tem seis meses novos para olhar, e a chance de a nota ter se movido é bem maior do que era em outubro de 2026.

O custo escondido dessa estratégia aparece quando alguém decide contratar crédito caro só para criar histórico. Um crédito pessoal não consignado cobrava 6,42% ao mês em julho de 2026, segundo o Banco Central, o que transforma R$ 3.000 tomados por doze meses em uma conta bem superior ao que qualquer ganho de nota justificaria. Criar histórico saindo do vermelho é barato, criar histórico tomando dinheiro é caro. Se a sua meta é organizar isso com método, comece pelos hábitos financeiros que ajudam a subir o score.

Na prática, o que funciona é rotina chata e repetida. Se fosse comigo, eu escolheria uma única conta recorrente, a de luz ou a do celular, colocaria em débito automático com folga de saldo e passaria seis meses sem falhar. É essa sequência sem furos que o modelo lê como mudança de comportamento, e não o pagamento isolado de uma dívida velha.

O que não muda nada no score e o que pode piorar

Boa parte do esforço de quem quer subir a nota vai para ações que não têm efeito nenhum no cálculo. Consultar o próprio CPF, por exemplo, é gratuito nos quatro birôs e não derruba pontuação, apesar de ser uma das crenças mais repetidas sobre o assunto.

  • Pagar empresa que promete limpar o nome. A exclusão do registro já é obrigação do credor em cinco dias úteis pela Súmula 548 do STJ, e nenhum intermediário encurta esse prazo. Desembolsar R$ 500 por um serviço desses é pagar por algo que a lei já garante de graça.
  • Consultar o próprio score várias vezes por semana. A consulta feita por você não é consulta de crédito, não aparece como pedido de financiamento e não altera a nota.
  • Abrir contas em vários bancos no mesmo mês. Aqui o efeito existe e é negativo, porque cada análise de crédito solicitada por instituição fica registrada e a sequência concentrada sinaliza risco.
  • Quitar dívida que já saiu do cadastro por decurso de prazo. Pagar é correto do ponto de vista do contrato, mas não devolve pontos de forma automática, já que o registro negativo nem existia mais no cadastro.
  • Trocar de birô. Não existe essa possibilidade, porque cada birô recebe dados dos credores por conta própria e você não escolhe onde ser avaliado.

Os números de contexto explicam por que esse mercado é tão grande. Em agosto de 2026, a Serasa contabilizava 83,9 milhões de brasileiros inadimplentes, e a pesquisa Peic da CNC do mesmo mês apontou 29,9% das famílias com contas em atraso e 12,5% sem condições de pagar. Com essa demanda, a oferta de atalhos pagos é inevitável, e boa parte dela cobra por serviço que o consumidor faria sozinho.

O golpe mais comum nesse ambiente pede pagamento em conta de pessoa física, promete baixa em 24 horas e some depois do Pix. Antes de contratar qualquer intermediário, leia o que separa as empresas que prometem limpar o nome do que é golpe e confirme se a dívida existe mesmo consultando os quatro cadastros.

Na minha experiência, quem paga por atalho está comprando calma, não resultado. A orientação para a maioria é usar esse mesmo dinheiro para amortizar a dívida seguinte. R$ 500 abatidos de um saldo que roda a juros altos produzem efeito imediato e verificável, enquanto a promessa de pontos não gera nem recibo do que foi entregue.

O que fazer se o nome não sair depois do prazo

Passados os cinco dias úteis do pagamento integral sem a baixa, você deixou de estar num atraso operacional e passou a ter um descumprimento da Súmula 548 do STJ nas mãos. A jurisprudência dos tribunais trata a manutenção indevida do registro como ato ilícito capaz de gerar indenização por dano moral, o que dá peso à sua reclamação.

  1. Reúna a prova. Guarde o comprovante de pagamento, o número do acordo, o extrato que mostra a data da compensação e a captura de tela do registro ainda ativo no birô, com data visível.
  2. Cobre o credor por canal com protocolo. Use o chat oficial, o e-mail do serviço de atendimento ao consumidor ou a ouvidoria, sempre pedindo número de protocolo, porque ligação sem registro não serve como prova depois.
  3. Abra reclamação no próprio birô. Os quatro cadastros têm canal de contestação, e o gestor precisa acionar a fonte da informação para confirmar ou corrigir o dado.
  4. Registre no consumidor.gov.br. A plataforma é pública, gratuita e as empresas cadastradas respondem em prazo determinado, o que costuma destravar casos parados.
  5. Procure o Procon ou o Judiciário. Com o comprovante e o protocolo em mãos, o caso tem contorno claro, já que a data do pagamento e a data da consulta ao cadastro provam o descumprimento do prazo.

Volte ao calendário da Marcela. Ela pagou em 10 de setembro de 2026, a compensação saiu em 15 e o prazo terminou em 22. Se no dia 23 o registro continuar ativo, ela abre o protocolo no credor, tira um print datado do cadastro e, se em mais cinco dias nada acontecer, registra a reclamação no consumidor.gov.br com os dois documentos anexados. O caminho inteiro custa zero e não depende de advogado na primeira etapa.

O erro que estraga esse processo é reclamar só por telefone. Sem protocolo e sem print com data, você perde a prova de que o prazo correu e do que já tentou, e o caso vira discussão de versão contra versão. Se você está nessa situação em mais de um cadastro, o passo a passo específico está em como sair do SPC e da Serasa e o que fazer se não saírem.

Minha orientação para quem chegou até aqui é não deixar passar de trinta dias. Quanto mais tempo o registro indevido fica de pé, mais difícil fica reconstruir a linha do tempo, e a indenização eventual nunca compensa o crédito negado no meio do caminho, que é o prejuízo que realmente dói.

Perguntas frequentes sobre quanto tempo o score demora para subir

O score sobe no mesmo dia se eu pagar por Pix?

A Serasa afirma que pagamentos por Pix feitos na plataforma Limpa Nome podem atualizar a pontuação em menos tempo, inclusive em poucos minutos, mas deixa claro que não há garantia de aumento imediato. O Pix acelera a confirmação do pagamento, que é a primeira etapa, e não o recálculo da nota.

Preciso pagar a dívida para o nome sair depois de cinco anos?

Não. O registro negativo tem prazo máximo de cinco anos pelo artigo 43, § 1º, do Código de Defesa do Consumidor, contados do dia seguinte ao vencimento da dívida, conforme decidiu o STJ em 2024. A dívida em si continua existindo e pode ser cobrada por outros meios.

Pagar a primeira parcela do acordo já limpa o nome?

Em boa parte dos acordos sim, porque o credor comunica a baixa depois da primeira parcela compensada. O ponto de atenção é que o atraso nas parcelas seguintes costuma cancelar o acordo pelas próprias condições contratadas, e a cobrança retorna ao estágio anterior.

Cada birô mostra um score diferente, qual deles vale?

Todos e nenhum, porque cada birô calcula a nota com o seu próprio modelo e com os dados que recebe dos credores que trabalham com ele. O banco que vai te avaliar escolhe de quem compra a informação, então o número que importa é o do birô consultado por aquele credor específico.

Existe score mínimo para conseguir um empréstimo?

Não existe score mínimo definido em lei no Brasil. Qualquer patamar exigido é política comercial da instituição, muda de produto para produto e convive com outros critérios, como renda comprovada, tempo de conta e dívidas já abertas.

Consultar meu próprio CPF derruba o score?

Não. A consulta que você faz do seu próprio cadastro é gratuita nos quatro birôs e não é registrada como pedido de crédito. O que pesa são as consultas feitas por instituições quando você solicita cartão, empréstimo ou financiamento.

Conclusão

Para a maioria das pessoas, a expectativa realista é ver o nome limpo em até oito dias úteis e a nota começar a reagir entre o terceiro e o sexto mês de contas em dia. Esse é o ritmo que o desenho do sistema permite. A baixa depende de um prazo cobrável de cinco dias úteis, e o score depende do acúmulo de meses novos de informação positiva, que nenhuma ação isolada antecipa.

A resposta muda em duas situações. Quem tinha um único registro antigo e histórico razoável antes do problema tende a ver movimento mais cedo. Já quem acumula vários contratos em atraso vai precisar de mais tempo, porque o modelo está olhando um conjunto maior de meses ruins. Em nenhum dos dois casos o dinheiro gasto com intermediário muda o calendário.

Comece hoje por três coisas concretas, e a primeira é consultar o seu CPF nos quatro birôs para saber exatamente quantos registros existem e de quem são. Depois, anote a data limite de oito dias úteis de cada pagamento que você fizer e cobre por escrito quem não cumprir. Por último, escolha uma conta recorrente para colocar em débito automático e passe seis meses sem falhar nela, porque é essa sequência que o cálculo lê como mudança real.

Aviso: este texto tem finalidade informativa e educacional sobre prazos de baixa de negativação e atualização de score de crédito, e não constitui recomendação de contratação, consultoria financeira ou orientação jurídica individualizada. Prazos de recuperação de crédito variam conforme o histórico, a quantidade de registros e a política de cada credor, e os modelos de cálculo de score não são públicos. Para discutir um registro indevido ou uma cobrança específica no seu nome, procure o Procon, a Defensoria Pública ou um advogado de sua confiança.

Revisado por Paulo Nascimento, advogado (OAB/RN nº 17.985), em

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